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Quarta, 23 de Abril de 2014.
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Câmara fotográfica em formato de cápsula evita endoscopia

Fonte: Agência Estado

Jornalista: Clarissa Oliveira

O que há apenas alguns anos parecia assunto para filmes de ficção científica já virou realidade. Depois de conquistar o mercado consumidor, a fotografia digital conseguiu espaço até mesmo na indústria farmacêutica, ou melhor, no formato de cápsulas. Recentemente, alguns hospitais e clínicas do País começaram a oferecer a seus pacientes um novo tipo de exame para detectar doenças do aparelho digestivo: uma cápsula que, após a ingestão, permite tirar em torno de 55 mil fotografias do órgão.

A cápsula endoscópica foi desenvolvida pela companhia israelense Given Imaging. O produto, distribuído no Brasil pela fornecedora de equipamentos diagnósticos Bioimagem, envolve um sistema completo de fotografia digital e transmissão de dados. Em um espaço de 1 cm de comprimento e 8 mm de largura estão uma câmara fotográfica, uma fonte própria de iluminação, baterias, antena e transmissores, todos resistentes à água e ao ambiente ácido.

As imagens coletadas são enviadas via rádio para um pequeno aparelho acoplado à cintura do paciente, onde fica a estrutura para o armazenamento das fotos. Depois do período de seis a oito horas necessário para que a cápsula percorra o aparelho digestivo, o médico realiza o download das imagens em uma estação de trabalho criada especificamente para a tecnologia.

Segundo o gerente de Produto da Bioimagem, Itamar de Paula Carrijo, a cápsula endoscópica reúne todas as condições necessárias para ganhar espaço no País. Além de oferecer imagens de partes do aparelho digestivo invisíveis em exames tradicionais, a tecnologia é mais prática, não traz nenhum tipo de desconforto ao paciente e fornece imagens mais nítidas. "Este é um produto inovador, que tem tudo para conquistar a comunidade médica", afirma o executivo.

Cerca de dois anos após o lançamento, a Bioimagem vendeu 20 sistemas para a realização de exames com a cápsula endoscópica, o que inclui o aparelho para gravação e a estação de trabalho. Mesmo assim, a expectativa da companhia é de que esse número avance significativamente ao longo dos próximos anos, à medida que a comunidade médica comece a se familiarizar com a novidade.

"Estamos projetando um crescimento entre 30% e 50% no volume de vendas ao longo dos próximos anos", afirma Carrijo. "A cápsula oferece muitas vantagens em relação aos exames convencionais mas, assim como acontece com outras novidades desse tipo, a adaptação dos médicos é relativamente lenta. Mas é apenas uma questão de tempo."


SUS
Por enquanto, a lista de clientes da Bioimagem ainda se restringe a hospitais e clínicas voltados a um público de maior poder aquisitivo. Entre eles, estão grupos de São Paulo como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês, o Hospital Nove de Julho, a Clínica Ana Rosa e os laboratórios de medicina diagnóstica Delboni Auriemo. Mesmo assim, a idéia é popularizar a tecnologia e, possivelmente, integrá-la à lista de benefícios do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas Carrijo reconhece que o crescimento do uso da cápsula pode demorar algum tempo para aparecer. De acordo com ele, esse exame tem um custo elevado tanto para os hospitais quanto para os pacientes, mas não é reembolsado pelas seguradoras de saúde no Brasil. As negociações com essas empresas já foram iniciadas, mas ainda não geraram resultados.


Exames custam entre R$ 3.000 e R$ 4.000
O sistema completo para a realização do exame que inclui uma estação de trabalho e o equipamento de gravação de dados tem um custo de US$ 36 mil. Além disso, cada cápsula representa uma despesa de US$ 600 para as clínicas e hospitais. Já a quantia desembolsada pelo paciente para a realização do exame fica entre R$ 3.000 e R$ 4.000, segundo o gastroenterologista da Clínica Ana Rosa, Ronaldo Oliveira.

O médico ressalta, no entanto, que esse custo é significativamente inferior ao de outros exames que integram as listas de reembolso, o que deve facilitar as negociações com os planos de saúde. "Trata-se de algo muito novo, mas a tendência é de que a tecnologia ganhe espaço rapidamente, como vem acontecendo no resto do mundo", afirma o médico.

Data: 03/08/2004

Fonte: Agência Estado

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