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Faculdade de Medicina da USP aplicará terapia celular para tratamento da diabete tipo I

Fonte: Agência USP

Para evitar o avanço da diabete tipo I no organismo, uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP) está trabalhando com uma nova técnica para o tratamento da doença: a terapia celular. As pesquisas para utilização deste método para a diabete tipo I são inéditas no mundo.

O procedimento, que já é usado para tratar outros males, consiste no transplante de células originárias da medula óssea do próprio indivíduo (denominadas células-tronco) que, aplicadas na corrente sanguínea, se adaptam às necessidades do órgão lesado, normalizando sua função.

Atualmente, as pesquisas estão em fase inicial - ou de "Protocolo", como define o professor Júlio César Voltarelli, coordenador dos estudos. "Estamos recrutando pacientes para o tratamento", explica. Experiências semelhantes já tiveram resultados satisfatórios em cobaias, e o objetivo é que ainda em 2003 comecem a ser desenvolvidas com humanos. "A idéia é aplicar a terapia celular em pacientes de no máximo 35 anos, e que tenham o diagnóstico de diabete confirmado no prazo de cerca de um mês e meio", ressalta Voltarelli, apontando que a "rapidez" deve-se ao fato de a terapia não apresentar a mesma eficácia em pessoas com a doença em estágio mais avançado.

A diabete tipo I é caracterizada pela dificuldade do pâncreas de produzir insulina, hormônio que facilita o processamento de glicose pelo organismo. A idéia do tratamento é fazer com que as células-tronco do portador da doença encaminhem-se para o pâncreas e colaborem para a restauração do seu funcionamento normal, além da ação das drogas imunossupressoras, que interrompem a destruição imunológica de células produtoras de insulina.

Outras doenças
Além da diabete tipo I, a FMRP é pioneira no emprego da terapia celular para o tratamento de outras doenças. Na faculdade, o método é utilizado para portadores de doenças reumáticas, como lupus e esclerose sistêmica, e neurológicas, como esclerose múltipla e polineuropatia. "Utilizamos esse método quando o tratamento habitual, com medicamentos, não apresenta o resultado satisfatório", explica Voltarelli. O processo é de risco, por isso feito apenas em casos extremos. Mas, de 22 pacientes submetidos ao tratamento, 16 já apresentaram resultados positivos.

O prazo de um ano, gasto pelo professor para iniciar a aplicação da terapia celular no tratamento da diabete tipo I, deveu-se não somente a questões técnicas, mas da aprovação da pesquisa no Conselho de Ética da FMRP, no Ministério da Saúde e em outras instâncias responsáveis pela análise desses procedimentos. "Por ser uma terapia de risco, tudo deve estar corretamente verificado antes que seja efetivamente empregada", afirma Voltarelli.

Data: 02/12/2003

Fonte: Agência USP

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