Último dia para se inscrever em prova da Unesp e Unifesp Mais da metade das Universidades, faculdades e centros tecnológicos está parada. Hoje há nova rodada de negociação com o MEC
Lisandra Paraguassú escreve, com a colaboração de Simone Iwasso, para “O Estado de SP”:
Depois de quase dois meses de greve dos professores do ensino superior federal – a primeira instituição, no Acre, parou em 15 de agosto –, não há no horizonte nem sombra de que as negociações possam chegar ao fim.
Nesta quinta-feira, com a adesão da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, subiu para 31 o número de instituições atingidas completa ou parcialmente pela greve, de um total de 61 Universidades, faculdades e centros de educação tecnológica.
Outras ainda discutem a adesão ao movimento. Na Universidade Federal de SP (Unifesp), os professores deverão entrar em greve a partir de segunda-feira.
Na terça-feira, eles decretaram estado de greve e até a noite de ontem estavam reunidos em assembléia para decidir os próximos passos da paralisação.
O principal sindicato dos professores, o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior Federal (Andes), acusa o Ministério da Educação de não receber o comando de greve.
Já o MEC diz que fez uma proposta e precisa saber o que os professores acharam dela antes de tentar mudá-la.
Por enquanto, ainda não há sinais de que a greve possa complicar o já confuso calendário escolar.
Por causa das greves de 2001 – a mais longa de todas, 99 dias - e de 2003, algumas instituições hoje em greve estão no recesso escolar, que normalmente seria em julho.
Isso significa que a paralisação não está afetando a todos. Isso só vai acontecer se a greve se mantiver por mais um mês.
"Se conseguirmos resolver a questão em mais 15 dias, que é a minha expectativa, acredito que o calendário vai estar assegurado", disse Ronaldo Nado Teixeira, secretário-executivo adjunto do MEC.
Nenhuma das Universidades em greve tomou ainda a decisão de mexer no calendário escolar ou de seus vestibulares.
Negociações
As negociações terão uma nova rodada hoje. No primeiro encontro, há uma semana, o MEC apresentou aos professores uma proposta com dois pontos.
O primeiro deles é a criação do cargo de professor associado, uma das reivindicações do sindicato.
"Isso serviria para promover vários professores que estão represados na categoria de adjunto IV, sem possibilidade de virar titular, e representaria um aumento de 10% para essas pessoas", disse Teixeira.
Os professores são divididos hoje em quatro categorias, sendo a mais alta a de titular. No entanto, para passar a essa faixa é necessário concurso.
A outra proposta é um reajuste de 50% no salário-base por titulação - especialista, mestre e doutor. Hoje, o salário-base mais baixo é de R$ 701 e o mais alto, de R$ 1.308.
Sobre eles, no entanto, ainda pesam a titulação, gratificações e os acúmulos por tempo de serviço. De acordo com Teixeira, isso representaria um reajuste médio de 10% para os professores.
No total, o MEC já tem R$ 395 milhões para fechar o acordo. Mas os professores querem um reajuste geral e linear de 18%.
O Andes reclama que o MEC não passou nem perto da sua principal reivindicação, que é a incorporação das gratificações. O MEC diz que isso agora é inviável.
"Foi criado um grupo de trabalho para analisar o assunto, discutiu-se por nove meses e não se chegou a nenhuma conclusão. Agora, querem discutir em outro grupo de trabalho sobre carreira. E o MEC nem mesmo recebe o comando de greve", reclama Marina Barbosa, presidente do Andes.
A briga acontece porque o MEC está chamando para a negociação não só o Andes, mas a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Pro-Ifes, um sindicato novo, criado neste ano como dissidência do Andes e mais alinhado com o PT.
Nas Universidades onde o Pro-Ifes domina, não há greve. Por isso, eles não teriam representantes no comando de greve. A maneira como o MEC negocia tiraria a força do sindicato.
Hoje é o último dia para os candidatos se inscreverem nos vestibulares da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de SP (Unifesp).
Para a Unesp, é preciso comprar o manual do candidato, no valor de R$ 10, e pagar a taxa de R$ 95. A inscrição pode ser feita pelo site da Fundação Vunesp (http://www.vunesp.com.br). O exame acontecerá entre os dias 18 e 20 de dezembro.
A Unifesp também disponibiliza a inscrição pela internet, no site http://www.unifesp.br ou http://www.vunesp.br, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 92 em qualquer agência bancária.
Quem não tem acesso à rede, pode usar um dos terminais do campus de SP e Santos. A prova está será feita entre os dias 14 e 16 de dezembro.
Já a Unicamp prorrogou o prazo para os candidatos. Devido à greve dos Correios, a inscrição está aberta até terça-feira.
(O Estado de SP, 7/10)
Data: 07/10/2005
Fonte: Jornal da Ciência