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Medicamento para câncer de mama pode combater a infecção por Leishmania amazonensis

Fonte: AGÊNCIA USP

Antonio Carlos Quinto
acquinto@usp.br

Agência USP de Notícias

No Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, pesquisadores comprovaram por meio de testes em modelos animais que o Tamoxifeno, medicamento tradicionalmente usado no tratamento do câncer de mama, pode ser eficaz para tratar a infecção por Leishmania amazonensis, doença cutânea causadora de úlceras na pele. De acordo com a professora Silvia Reni Bortolin Uliana, do Departamento de Parasitologia do ICB, testes com animais ainda estão sendo realizados. “A utilização em humanos ainda depende de testes, que podem demorar vários anos”, estima a pesquisadora. Os resultados das pesquisas foram publicados recentemente na revista PloS Neglected Tropical Diseases, na edição de junho.

O tratamento usado atualmente para a leishmaniose é feito por meio de injeções ou aplicações intravenosas com três classes de drogas: os antimoniais pentavalentes, anfotericina B e pentamidina. “Esses medicamentos, no entanto, apresentam efeitos colaterais, podendo causar danos ao rim, fígado e até arritmia cardíaca”, diz Silvia. O tratamento, como ela explica, deve durar aproximadamente 20 dias. “São injeções doloridas e, em muitos casos, pessoas atingidas pela doença não têm acesso a serviços de saúde, o que permitiria uma aplicação intravenosa.”

Silvia conta que na Índia, há cerca de um ano, um novo medicamento vem sendo utilizado. Trata-se do Miltefosine, que ainda não foi aprovado no Brasil e encontra-se em fase de testes no resto do mundo. “Na Índia a droga vem sendo aplicada devido à situação de gravidade da doença naquele país.

Testes in vitro
A pesquisadora conta que os testes com o medicamento visando sua utilização contra a leishmania começaram há cerca de quatro anos. Os primeiros experimentos foram realizados in vitro. As experiências com camundongos foram iniciadas há dois anos e ainda devem prosseguir. Nos testes, os pesquisadores infectaram grupos de animais com a leishmania e, após quatro a cinco semanas, os camundongos foram submetidos a um tratamento de 15 dias. Após a interrupção do tratamento, os animais foram observados por mais 6 a 10 semanas. “Percebemos que os camundongos tratados com o Tamoxifeno tiveram o desenvolvimento da doença muito retardado ou apresentaram cicatrização das úlceras. No final do experimento, foram quantificados os parasitas no local da infecção e observamos redução dels entre 99,7% e 99,8%”, descreve Silvia.

O Tamoxifeno é um medicamento usado no tratamento e prevenção do câncer de mama há cerca de 30 anos. “Isso permitiu consultas a uma extensa literatura sobre o medicamento, que em casos de câncer de mama é administrado por um período de cinco anos contínuos”, informa a pesquisadora.

De acordo com Silvia, os pesquisadores do ICB perceberam que o medicamento pode induzir ao aumento de óxido nítrico nas células tumorais. “No animal infectado, o parasito vive num macrófago, que é uma célula capaz de produzir o óxido nítrico. Assim, a indução à produção do óxido nítrico seria importante no combate à leishmania”, descreve.

Outra observação importante que havia sido descrita anteriormente era de que o Tamoxifeno pode influenciar o pH de compartimentos celulares. “Ele é capaz de aumentar o pH da célula. Como o parasita depende de pH ácido para sobreviver, supusemos que a droga pudesse influenciar a sobrevivência da Leishmania”, conta a pesquisadora.

A Leishmania amazonensis causa uma doença cutânea que provoca úlceras na pele entre cinco e dez centímetros de diâmetro. “Essa forma da infecção não chega a representar risco de morte, a não ser que ocorra infecção secundária”, descreve Silvia. Esse parasita ainda pode determinar uma outra forma clínica, chamada forma difusa. Nesse caso, aparecem nódulos por todo o corpo. Segundo a pesquisadora, esta é a forma mais grave da doença.

A professora conta que esta infecção é mais comum na Amazônia. “Ela é transmitida por uma mosca chamada Lutzomyia flaviscutelatta. Este inseto é encontrado em toda a Amazônia e também na região Centro Oeste do País”, lembra Silvia. A pesquisadora também conta com a colaboração de Danilo Ciccone Miguel, estudante do programa de doutorado do Departamento de Parasitologia do ICB, que vem desenvolvendo sua tese sobre este mesmo tema.


Mais informações: (11) 3091-7334, com a professora Silvia Reni Bortolin Uliana; e-mail srbulian@icb.usp.br

Data: 07/07/2008

Fonte: AGÊNCIA USP

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