Renorbio
Sábado, 19 de Maio de 2012.
CPF: Senha:
Renorbio > Notícias > Proteína do feijão é usada em transplante de medula

Proteína do feijão é usada em transplante de medula

Fonte: Agência USP de Notícias

Uma substância extraída do feijão poderá aumentar as chances de sucesso dos transplantes de medula óssea. Estudo realizado no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP mostrou a eficiência da fitohemaglutinina (PHA), proteína encontrada em alguns tipos de feijão, na separação de linfócitos do material a ser enxertado no paciente, o que reduziria as chances de rejeição no organismo após o procedimento. A técnica foi descrita na dissertação de mestrado de Glaucia Maria Ribeiro de Souza.

A pesquisadora explica que os pacientes submetidos a transplantes de medula alogênicos (com familiares sadios) estão sujeitos a "Doença do Enxerto Versus Hospedeiro" (GVHD). "Com o procedimento, além das células necessárias ao doente, conhecidas como `stem-cell´, também são enxertados linfócitos, que podem reconhecer o organismo como um corpo estranho, provocando rejeição", relata. "Por isso são necessárias técnicas que permitam retirar os linfócitos antes do procedimento, mesmo que haja compatibilidade do organismo com as `stem-cell` que serão transplantadas."

O estudo utilizou amostras de sangue de dez pacientes submetidos ao transplante autólogo de medula (feito com sangue extraído do próprio doente, enxertado após tratamento) na Santa Casa de São Paulo. A pesquisadora testou a capacidade de aglutinação de linfócitos de três diferentes tipos de PHA, encontrados no feijão preto e no feijão vermelho. "Os melhores resultados foram obtidos com a fração L da fitohemaglutinina do feijão vermelho, que apresentou mais afinidade com os linfócitos", afirma Gláucia. "As frações são obtidas com a purificação do PHA, apresentando resultados diferenciados, como a fração E, descrita na literatura científica, que atua nos glóbulos vermelhos do sangue .

Separação
Segundo a pesquisadora, a separação dos linfócitos é feita atualmente por um aparelho chamado Magnet Cell Sort (Separador Magnético de Células), que consegue retirar 99% dos linfócitos presentes no material a ser transplantado. "Apesar da eficiência, esta técnica é muito cara para os padrões do sistema público de saúde no Brasil", aponta. "O uso de drogas a base de PHA poderia baratear os custos da separação de células para uso em transplantes de medula."

Gláucia relata que apesar do PHA reter menos linfócitos que o Separador Magnético (cerca de 80%), a diferença pode se tornar uma vantagem após o transplante. "Os linfócitos restantes irão provocar GVL, uma doença que serve para estimular o funcionamento da medula transplantada", explica. Segundo a pesquisadora, a lecitina de soja também pode ser utilizada na separação dos linfócitos, apresentando índices de retenção próximos a 90%. "O problema é que a lecitina precisa estar associada a outras substâncias para promover tais resultados, o que pode aumentar os riscos de contaminação da amostra."

De acordo com Gláucia Maria de Souza, o uso do PHA nos procedimentos do transplante de medula dependerá de testes que mostrem sua eficiência em outros tipos de enxerto. "Seria necessário medir o desempenho da fitohemaglutinina nos procedimentos alogênicos com doadores sadios", explica a pesquisadora. "A técnica a ser usada para separação dos linfócitos depende do estudo específico de cada paciente", ressalta.

Data: 09/12/2003

Fonte: Agência USP de Notícias

Renorbio - Rede Nordeste de Biotecnologia
UECE - Av. Paranjana, 1.700 - Campus do Itaperi - 60740-000 Fortaleza/CE
Telefone: (85) 3101.9645 / Fax: (85) 3101.9650
E-mail: renorbio@renorbio.org.br
Copyright © Renorbio. 2005-2011. Todos os Direitos Reservados.