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Vigilância denuncia o ‘Mineirinho’

Fonte: Diário de Cuiabá

Jornalista: Karoline Garcia
A Vigilância Sanitária de Mato Grosso denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma farmácia do estado de Minas Gerais por estar manipulando e vendendo medicamento de alto risco à saúde, sem prescrição médica.

A fórmula emagrecedora, conhecida popularmente como ”Mineirinho”, quase levou uma mulher à morte, no ano passado. Recentemente o resultado da análise no produto mostrou que seu problema foi causado pelo medicamento. Luciana Botelho de Campos Merthan resolveu protocolar denúncia na Vigilância estadual depois de ficar internada na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital, em Cuiabá, por dois dias. Ela ainda ficou cerca de três meses em tratamento para evitar possíveis seqüelas.

A confirmação de que Luciana teve intoxicação por anfetamina veio no mês passado, com o resultado da perícia feita nos componentes do “Mineirinho”. Uma série de substâncias anorexígenas (responsáveis pela redução do apetite) foi detectada no medicamento, que é vendido como “100% natural”.

A perícia foi realizada no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Com a denúncia de Luciana, a Vigilância encaminhou o kit comprado por ela (contendo dois potes de comprimidos e um pacote de chá emagrecedor) à Fiocruz solicitando a análise.

De acordo com o farmacêutico e técnico da Vigilância estadual, Wagner Martins Coelho, os exames demoraram quase um ano para ficarem prontos. “Recorremos à Anvisa para que intercedesse enviando para o laboratório o material que faltava para que a análise fosse mais precisa. Mesmo assim só obtivemos o resultado esperado no mês de junho”, explica Wagner.

A equipe médica responsável pela avaliação de Luciana na época da internação já havia concluído que a série de reações que a paciente apresentou foi decorrente da medicação contra obesidade.

Só que os médicos não puderam apontar quais eram essas substâncias, já que na embalagem apenas os componentes fitoterápicos (naturais) eram enumerados, como centelha asiática e cáscara sagrada, por exemplo. “Não houve surpresas no resultado dos exames, pois o quadro clínico apresentado por Luciana era muito claro. A dúvida ficou em relação à que associação de substâncias ela havia realmente ingerido. Graças à perícia hoje sabemos que o ‘coquetel’ vendido por aquele que se diz médico é muito mais perigoso que imaginávamos”, afirma o endocrinologista Marcelo Maia, que fez o acompanhamento de Luciana na época.

Segundo o relatório médico e da própria paciente, a internação ocorreu por conta de coma hipoglicêmico (brusca queda da taxa de açúcar no sangue), hipotermia (queda da temperatura do corpo) e arritmia cardíaca (que pode levar à insuficiência cardíaca). “Eu praticamente não comia mais. Não conseguia parar em pé, tinha muitos desmaios e tive que me afastar por um mês do trabalho”, relata Luciana, que tomou o “Mineirinho” por sete meses e emagreceu 21 quilos durante esse período.

Ela esclarece que só se dispôs a comprar o medicamento porque tinha a garantia de que era natural, um produto fitoterápico, manipulado por um endocrinologista de Minas Gerais. A fórmula é vendida por telemarketing e pela Internet.

Na tentativa de falar com o médico José Carlos Sary Eldin, a reportagem foi informada de que ele não se encontrava na cidade, Coronel Fabriciano (MG).

Luciana comprou por duas vezes o medicamento e apenas em uma havia a assinatura de Sary. No carimbo não há a especialidade do profissional, mas de acordo com a atendente que falou com a reportagem, ele é endocrinologista.

A fórmula é manipulada pela Farmácia Débora, como consta na embalagem. Extra-oficialmente a Vigilância Sanitária de Mato Grosso recebeu a informação de que o estabelecimento – que de acordo com a atendente, é de propriedade de José Carlos Sary – foi interditado pela vigilância daquele estado. O órgão mineiro solicitou um ofício à reportagem para que a qualquer informação fosse repassada. Mesmo após o envio e contato telefônico, não houve resposta.

O coordenador da Vigilância Sanitária de Mato Grosso, Benedito Oscar Campos, também tentou obter alguma resposta mais precisa, o que também não ocorreu. “As vigilâncias são muito rigorosas no que diz respeito à prestação de informações. Até entre as vigilâncias é necessária uma série de formalidades. Entraremos em contato com a Anvisa para saber o que realmente foi feito em relação à farmácia. Nosso esforço não foi em vão”, explicou o farmacêutico e técnico da Vigilância Wagner Coelho. Ele lembra que muitas pessoas podem estar arriscando a própria vida por acreditar na fórmula mágica que virou mania até entre os não obesos. À Anvisa foram encaminhados todos os documentos que comprovam a presença das substâncias e a ausência da descrição na fórmula.

Data: 10/08/2004

Fonte: Diário de Cuiabá

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